concentração durante o conselho de estado, hoje, 21, 18h, aliados

então e voltamos a uma daquelas horas absurdas: um país inteiro nas mãos do aníbal e amigos, vinte alminhas da fina flor dos poderes vários, encarregues de decidir se podem ou não fingir que não ouviram nada, lá fora.

ora, para nossa desgraça, eles são peritos em perceber mal o que se lhes diz. que o facto de quase dez por cento da população, em desespero de causa (isto continua a não funcionar, em lado nenhum, e o salário mínimo acaba de ser reduzido para menos de quatrocentos euros por mês) tenha vindo para a rua, não interessa nada – não se aplica uma alteração estrutural deste tamanho sem perder o aval das pessoas, logo que elas começam a perceber o que eles andam a fazer, e o que serão os próximos anos. já falam noutro empréstimo, a dívida impagável cresce, o desemprego aumenta e afinal a execução orçamental era mesmo só matar o mercado interno, cortando brutalmente no poder de compra das populações, em nome de uma capacidade eventual de exportação – logo que os salários consigam concorrer com os da china. um país de poucos muito ricos e muitos muito pobres. «é a dose exactamente necessária», dizia o gaspar, mas só até à próxima ‘toma’.  isto pode sempre piorar.

há uma perda política de democracia, de capacidade de escolha, com toda esta chantagem da dívida no ar. e a questão passa a ser: ainda se pode dizer que não? ainda há, democracia? …a grécia esteve quase a responder a essa pergunta, mas as esquerdas parlamentares não se conseguiram unir na ideia que já conseguiu reunir amplos sectores portugueses na rua: correr com a troika. o plano delineado pelo desgoverno e pelos que os guiam, à distância, só não está preparado para a participação cidadã em massa, com o perder totalmente o medo de exigir uma outra política, sem austeridade nem precariedade.

hoje, às 18h, nos aliados, concentração com ligação telepática ao aníbal, como em muitas cidades pelo país afora, para dizer que os temos debaixo d’olho e que não vamos em floreados ou governos tecnocratas,  tudo explicado devagarinho a ver se eles percebem o recado de uma vez : RUA!!!

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